quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Líderes do PCC moravam há um ano em condomínio de luxo no Ceará Mesmo um helicóptero tendo sido usado, Força Aérea diz que não foi chamada para ajudar nas investigações Uma ordem de busca e apreensão foi cumprida, na madrugada de segunda-feira (19) na mansão, supostamente, comprada por R$ 2 milhões ( FOTO: DIVULGAÇÃO ) 01:00 · 20.02.2018 / atualizado às 01:54 As esposas, duas amigas delas e o advogado que representava 'Gegê' estiveram na Pefoce, ontem, para resolver a liberação dos corpos ( Fotos: Thiago Gadelha ) No fim da manhã, os cadáveres deixaram a Pefoce e seguiram para uma funerária, onde foram embalsamados. Depois, embarcaram paro o Estado de São Paulo Os líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), mortos em uma reserva indígena na última sexta-feira no Ceará, moravam há cerca de um ano em um condomínio de luxo no Porto das Dunas. A mansão, situada no Alphaville, onde moravam Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue'; e Fabiano Alves de Souza, o 'Paca', foi alvo de um mandado de busca e apreensão, na madrugada de ontem, conforme uma fonte da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) ouvida pela reportagem. Equipes da Delegacia de Repressão as Organizações Crimonosas (Draco) fizeram vistorias na casa, que teria sido comprada por R$ 2 milhões e estaria em nome de um 'laranja'. "O pagamento do imóvel foi feito em 10 cheques de R$ 200 mil", confirmou o servidor da SSPDS. Leia ainda: > Reserva indígena teme represália, após execução da cúpula da facção > Almirante diz que vê problema do Ceará como 'prioritário' > Promotor diz que mortes devem enfraquecer PCC > Sucateamento da Polícia Civil em xeque A ordem judicial foi expedida no plantão do Poder Judiciário, no último domingo, e cumprida nas primeiras horas de ontem. Os dois homens também ostentavam carros de luxo defronte à mansão e não levantavam suspeitas dos vizinhos. "Um funcionário teria sido o primeiro a reconhecer os dois homens mortos como sendo os moradores do condomínio", disse a fonte. A Polícia Civil investiga ainda se os dois teriam outros imóveis registrados em nomes de 'laranjas' na Capital e na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Há alguns anos, o Ceará já havia virado porto seguro de integrantes da cúpula do PCC. Em março de 2016, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, irmão de Marcos Herbas Herrera Camacho, o 'Marcola', o líder da facção, foi preso em uma operação da Polícia Federal, no bairro Sapiranga, em Fortaleza. Em uma mansão, na Capital, o irmão de Marcola comandava o tráfico internacional de drogas. Liberação Na manhã de ontem, os corpos dos dois líderes do PCC, foram liberados pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) e seguiram para São Paulo, onde devem ser sepultados, hoje. As esposas dos mortos, duas amigas delas e o advogado que defendia 'Gegê' vieram a Fortaleza, para acompanhar o traslado dos corpos. O grupo desembarcou, na noite de domingo (18) e chegou a ir até a Pefoce, mas não conseguiu a liberação de imediato. Image-3-Artigo-2364742-1 Pela manhã, familiares dos membros da Sintonia Geral Final (nome dado à cúpula do PCC) voltaram à Perícia Forense, mas não quiseram conceder entrevista. Após cerca de 5 horas, os corpos foram liberados e retirados pela funerária. A reportagem apurou que os cadáveres de 'Gegê' e 'Paca' foram embalsamados em uma funerária, na Rua Ildefonso Albano. O trabalho finalizado pela Pefoce é, no entanto, só o começo das investigações. Uma fonte da Inteligência da SSPDS disse que equipes da Coordenadoria de Inteligência (Coin) da Pasta estavam refazendo todos os passos das mulheres de 'Gegê' e 'Paca'. "Os policiais descaracterizados fizeram levantamentos sobre onde elas passaram, os pagamentos que realizaram aqui no Ceará, como o da funerária, por exemplo. Se não foi em dinheiro, fica algum rastro que se possa perseguir", disse. As esposas das vítimas foram oficialmente ouvidas na Draco, antes de embarcarem para São Paulo. Outro investigador, que também atua em uma célula de Inteligência da Pasta, disse que, ainda no fim do ano de 2017, chegaram as primeiras informações sobre a presença de 'Gegê' no Ceará. "Não sabíamos exatamente se ele estava baseado no Ceará ou no Piauí, mas sabíamos que ele esteve aqui, provavelmente, planejando um ataque a uma transportadora", revelou. Investigações A Polícia cearense tem o desafio de descobrir quem matou 'Gegê' e 'Paca' e esclarecer o motivo. Mais de 72h após o crime, a SSPDS finalmente reconheceu, ontem, que os dois corpos encontrados em Aquiraz, na última sexta-feira (16), eram de 'Gegê' e 'Paca'. O policial da Inteligência disse que é um crime complexo, que não será fácil elucidá-lo. "Houve uma sequência de chacinas aqui e não se escuta falar de resolução. Essa última, no Barroso, passou batida. Nada de mandante, de executor, de mentor. Se um crime que é arquitetado e cometido no Ceará, não é solucionado, imagine uma caso da complexidade deste", afirmou. As mortes de 'Gegê' e 'Paca' teriam sido ordenadas pelo próprio PCC, por conta de conflitos internos. Um helicóptero que transportava os atiradores e as vítimas teria pousado na reserva indígena de Aquiraz e, em seguida, houve um tiroteio. O policial da Inteligência da SSPDS diz que é preciso achar esse helicóptero. "Claro que alguém tem que dar conta desse helicóptero. Aparentemente, o 'Gegê' e o 'Paca' entraram nele porque quiseram, não foram forçados. O que reforça que era pilotado por alguém do PCC". Um servidor da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), da SSPDS, disse que é possível voar sem ser notado pelos radares, mas isto inclui muitos riscos. Segundo ele, voando baixo, a uma altura de até 45 pés, dificilmente o helicóptero será detectado. A Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pelo tráfego aéreo, informou que ainda não foi procurada pela SSPDS para colaborar com a investigação sobre a suposta participação de um helicóptero na ação criminosa. De acordo com a assessoria da FAB, a aeronave pode pertencer ao grupo criminoso ou mesmo ter sido alugada. Após os investigadores descobrirem a matrícula do helicóptero e acionarem o órgão, a Força Aérea disse estar à disposição para colaborar com a localização e o trajeto da aeronave.

Líderes do PCC moravam há um ano em condomínio de luxo no Ceará

Mesmo um helicóptero tendo sido usado, Força Aérea diz que não foi chamada para ajudar nas investigações

Uma ordem de busca e apreensão foi cumprida, na madrugada de segunda-feira (19) na mansão, supostamente, comprada por R$ 2 milhões ( FOTO: DIVULGAÇÃO )

As esposas, duas amigas delas e o advogado que representava 'Gegê' estiveram na Pefoce, ontem, para resolver a liberação dos corpos ( Fotos: Thiago Gadelha )
No fim da manhã, os cadáveres deixaram a Pefoce e seguiram para uma funerária, onde foram embalsamados. Depois, embarcaram paro o Estado de São Paulo
Os líderes da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), mortos em uma reserva indígena na última sexta-feira no Ceará, moravam há cerca de um ano em um condomínio de luxo no Porto das Dunas. A mansão, situada no Alphaville, onde moravam Rogério Jeremias de Simone, o 'Gegê do Mangue'; e Fabiano Alves de Souza, o 'Paca', foi alvo de um mandado de busca e apreensão, na madrugada de ontem, conforme uma fonte da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) ouvida pela reportagem.
Equipes da Delegacia de Repressão as Organizações Crimonosas (Draco) fizeram vistorias na casa, que teria sido comprada por R$ 2 milhões e estaria em nome de um 'laranja'. "O pagamento do imóvel foi feito em 10 cheques de R$ 200 mil", confirmou o servidor da SSPDS.

A ordem judicial foi expedida no plantão do Poder Judiciário, no último domingo, e cumprida nas primeiras horas de ontem. Os dois homens também ostentavam carros de luxo defronte à mansão e não levantavam suspeitas dos vizinhos. "Um funcionário teria sido o primeiro a reconhecer os dois homens mortos como sendo os moradores do condomínio", disse a fonte. A Polícia Civil investiga ainda se os dois teriam outros imóveis registrados em nomes de 'laranjas' na Capital e na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).
Há alguns anos, o Ceará já havia virado porto seguro de integrantes da cúpula do PCC. Em março de 2016, Alejandro Juvenal Herbas Camacho Júnior, irmão de Marcos Herbas Herrera Camacho, o 'Marcola', o líder da facção, foi preso em uma operação da Polícia Federal, no bairro Sapiranga, em Fortaleza. Em uma mansão, na Capital, o irmão de Marcola comandava o tráfico internacional de drogas.
Liberação
Na manhã de ontem, os corpos dos dois líderes do PCC, foram liberados pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) e seguiram para São Paulo, onde devem ser sepultados, hoje. As esposas dos mortos, duas amigas delas e o advogado que defendia 'Gegê' vieram a Fortaleza, para acompanhar o traslado dos corpos. O grupo desembarcou, na noite de domingo (18) e chegou a ir até a Pefoce, mas não conseguiu a liberação de imediato.
Image-3-Artigo-2364742-1
Pela manhã, familiares dos membros da Sintonia Geral Final (nome dado à cúpula do PCC) voltaram à Perícia Forense, mas não quiseram conceder entrevista. Após cerca de 5 horas, os corpos foram liberados e retirados pela funerária. A reportagem apurou que os cadáveres de 'Gegê' e 'Paca' foram embalsamados em uma funerária, na Rua Ildefonso Albano.
O trabalho finalizado pela Pefoce é, no entanto, só o começo das investigações. Uma fonte da Inteligência da SSPDS disse que equipes da Coordenadoria de Inteligência (Coin) da Pasta estavam refazendo todos os passos das mulheres de 'Gegê' e 'Paca'.
"Os policiais descaracterizados fizeram levantamentos sobre onde elas passaram, os pagamentos que realizaram aqui no Ceará, como o da funerária, por exemplo. Se não foi em dinheiro, fica algum rastro que se possa perseguir", disse. As esposas das vítimas foram oficialmente ouvidas na Draco, antes de embarcarem para São Paulo.
Outro investigador, que também atua em uma célula de Inteligência da Pasta, disse que, ainda no fim do ano de 2017, chegaram as primeiras informações sobre a presença de 'Gegê' no Ceará. "Não sabíamos exatamente se ele estava baseado no Ceará ou no Piauí, mas sabíamos que ele esteve aqui, provavelmente, planejando um ataque a uma transportadora", revelou.
Investigações
A Polícia cearense tem o desafio de descobrir quem matou 'Gegê' e 'Paca' e esclarecer o motivo. Mais de 72h após o crime, a SSPDS finalmente reconheceu, ontem, que os dois corpos encontrados em Aquiraz, na última sexta-feira (16), eram de 'Gegê' e 'Paca'. O policial da Inteligência disse que é um crime complexo, que não será fácil elucidá-lo. "Houve uma sequência de chacinas aqui e não se escuta falar de resolução. Essa última, no Barroso, passou batida. Nada de mandante, de executor, de mentor. Se um crime que é arquitetado e cometido no Ceará, não é solucionado, imagine uma caso da complexidade deste", afirmou.
As mortes de 'Gegê' e 'Paca' teriam sido ordenadas pelo próprio PCC, por conta de conflitos internos. Um helicóptero que transportava os atiradores e as vítimas teria pousado na reserva indígena de Aquiraz e, em seguida, houve um tiroteio.
O policial da Inteligência da SSPDS diz que é preciso achar esse helicóptero. "Claro que alguém tem que dar conta desse helicóptero. Aparentemente, o 'Gegê' e o 'Paca' entraram nele porque quiseram, não foram forçados. O que reforça que era pilotado por alguém do PCC".
Um servidor da Coordenadoria Integrada de Operações Aéreas (Ciopaer), da SSPDS, disse que é possível voar sem ser notado pelos radares, mas isto inclui muitos riscos. Segundo ele, voando baixo, a uma altura de até 45 pés, dificilmente o helicóptero será detectado.
A Força Aérea Brasileira (FAB), responsável pelo tráfego aéreo, informou que ainda não foi procurada pela SSPDS para colaborar com a investigação sobre a suposta participação de um helicóptero na ação criminosa. De acordo com a assessoria da FAB, a aeronave pode pertencer ao grupo criminoso ou mesmo ter sido alugada.
Após os investigadores descobrirem a matrícula do helicóptero e acionarem o órgão, a Força Aérea disse estar à disposição para colaborar com a localização e o trajeto da aeronave.

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