quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

Suspeitos de tráfico de drogas atuavam em vários estados

Durante o período de investigação, a Polícia Federal apreendeu 149 quilos de drogas no Aeroporto de Boa Vista

A Operação Ponte Aérea, desencadeada nas primeiras horas da manhã de ontem, dia 21, pela Polícia Federal em Roraima em parceria com o Ministério Público do Estado, resultou no cumprimento de nove dos dez mandados de prisão que foram expedidos, além de nove mandados de busca e apreensão que foram cumpridos na íntegra. O objetivo da operação é desarticular a associação criminosa integrada por investigados que atuavam criminosamente no tráfico de drogas, financiamento e associação para o tráfico em Boa Vista.
Além dos mandados, o sequestro de bens de dez investigados foi realizado pela Polícia, decorrente de ordens judiciais deferidas pela Justiça do Estado de Roraima, após representação em Inquérito Policial. As medidas judiciais foram cumpridas em Boa Vista, Manaus (AM) e Florianópolis (SC). “São pessoas investigadas, envolvidas no tráfico de drogas, associação para o tráfico, lavagem de dinheiro e financiamento do tráfico de drogas. Um investigado ainda está foragido, não foi preso, e a polícia trabalhando para cumprir esse último mandado de prisão que é de um dos principais investigados. As medidas estão sendo cumpridas”, informou o delegado Alan Robson Ramos.
Nas ações, os agentes apreenderam drogas, armas, valores em real, dólar e veículos, alguns de luxo. “O trabalho de apreensão e de oitiva dessas pessoas dentro desse inquérito policial, que foi instaurado há um ano, continua. Em Florianópolis, que é um dos municípios onde também estão sendo cumpridos esses mandados, foi apreendida a maior quantidade de drogas, que têm êxtase, selos de LSD [Dietilamida Ácido Lisérgico]. Essa quantidade está sendo computada e ainda vai ser encaminhada para a Polícia Federal em Roraima”, disse o delegado.
Durante um ano de investigação, a Polícia Federal calculou que foram apreendidos 149 quilos de drogas, principalmente skunk, a supermaconha, embarcando do Aeroporto Internacional de Boa Vista Atlas Brasil Catanhede para outras cidades. “Esse que ainda está foragido era quem coordenava, comprava as passagens, fazia a seleção e pagamento das 'mulas' que é quem transportava a droga, então ele é um dos principais envolvidos, que tem domicílio em Florianópolis, Boa Vista e Manaus. Em Florianópolis foi apreendida uma grande quantidade de droga, uma arma de fogo. A polícia vai trabalhar para cumprir esse mandado”, acrescentou Ramos.
A droga era comprada pelos investigados em Manaus e transportada até Boa Vista e, em seguida, era levada para as regiões Sul e Sudeste em voos domésticos, na maioria das vezes pelas mesmas “mulas” que receberam a droga na capital amazonense. Nas capitais do Sul e Sudeste, eram adquiridos veículos importados objetos de crime para revenda no Norte do Brasil.
“Em um ano de investigação foram apreendidos, apenas no Aeroporto de Boa Vista, 145 quilos da droga [skunk] e 15 transportadores foram presos em flagrante. Dois dos presos confessaram que estavam a serviço da associação criminosa alvo da operação de hoje (ontem) e os demais ficaram em silêncio. O principal destino da droga era o Estado do Paraná, de onde o skunk era redistribuído para São Paulo e Santa Catarina, região de onde retornavam as “mulas” trazendo drogas sintéticas, mais fáceis de serem dissimuladas na bagagem. Em algumas apreensões, a droga também estava sendo enviada ao Nordeste. Boa Vista estava sendo usada como rota da droga e a droga chegava aos grandes centros nacionais. A droga que vale por volta de R$ 10 mil o quilo”, concluiu o delegado. (J.B)
Presos na operação mantinham alto padrão de vida em Boa Vista
Os investigados na Operação Ponte Aérea, deflagrada pela Polícia Federal, se valiam da posição social, por serem das classes alta e média, para praticar o crime de tráfico em boates e festas frequentadas por jovens com alto poder aquisitivo, bem como empregavam no transporte de drogas pessoas que aceitavam correr o risco de serem presas por uma pequena fração dos lucros.
Os usuários de drogas, que rodeavam o bando de traficantes, eram utilizados como “mulas” para o transporte. Os investigados ostentavam muitos veículos importados e bens adquiridos com dinheiro ilícito. A Polícia Federal revelou que, inclusive, um médico está entre os investigados que integram o grupo criminoso.
“Um médico daqui de Boa Vista é investigado por associação ao tráfico e financiamento. A investigação aponta, por exemplo, que em uma das oportunidades, ele emprestou R$ 50 mil a juros mensais de R$ 5 mil e teve como garantia um veículo de um dos traficantes, que era importado, de alto valor. Os traficantes utilizavam esses valores como capital de circulação para a prática criminosa, para comprar a droga, revender e gerar valor para pagar o suspeito que financiava”, explicou o delegado, Alan Robson Ramos.
De acordo com a PF, no curso das investigações, quatro integrantes da quadrilha, que vendiam a droga no varejo e no atacado, e outros dois em posse de uma pistola Glock, de fabricação austríaca, e carros de luxo roubados no Estado de São Paulo foram presos.
Os presos em Boa Vista foram conduzidos para realização de procedimentos legais antes de serem recolhidos ao sistema prisional. “Eles estão sendo investigados e indiciados. Estão presos preventivamente envolvidos nos artigos 33 e 35 da lei de drogas [11.343/06], artigo 1o da lei de lavagem de dinheiro [12.683/12] e pelo financiamento do tráfico de drogas. São crimes hediondos, gravíssimos e só o tráfico prevê pena de 30 anos. A soma dessas penas individualizadas vai ultrapassar os 30 anos”, ressaltou Ramos.
Os pais do principal investigado no caso também foram conduzidos à Superintendência da Polícia Federal, inclusive, o indivíduo, segundo o levantamento policial tem duas casas alugadas no bairro Caçari, zona Leste da Capital, que eram usadas para o tráfico de drogas.
A Polícia Federal destacou que qualquer pessoa pode denunciar o tráfico de drogas em Roraima por meio do telefone: (95) 3621-1500.
N.R.: A reportagem da Folha resguardou os nomes dos suspeitos respeitando o artigo 5º da Constituição Federal, que preceitua que “ninguém será considerado culpado até o trânsito em julgado de sentença penal condenatória”. O artigo prevê que são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurado o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação. (J.B)

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