segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Pinheiro – Como a de Brumadinho, barragem eclusa do Pericumã pode se romper e causar prejuízos ecológicos para a Baixada




A notícia do rompimento da Barragem de Brumadinho – MG, na última sexta-feira, comoveu todo o país pelo número de vidas humanas perdidas e pela destruição do meio ambiente. Os governos estaduais e federal se mobilizam para vistoriar barragens em todos os estados da federação.

As autoridades do Maranhão bem que deveriam dar uma atenção especial a barragem eclusa do Pericumã, que corre riscos de desabar. Ele deveria passar por uma rigorosa vistoria, visto que a sua estrutura vem sendo corroída pela oxidação ao longo do tempo, isso desde a sua inauguração em 1982 pelo Ministro Mário Andreazza, e jamais recebeu qualquer reforma ou manutenção adequada.

A obra foi construída pelo Departamento Nacional de Obras contra a Seca (DNOCS), com o objetivo de represar a água do imponente rio Pericumã, facilitar a navegação de pequenas embarcações, viabilizar a irrigação da agricultura familiar, possibilitar o abastecimento de pescado aos municípios limítrofes e evitar a penetração da água salgada, que avançava sobre o curso da água doce e os campos inundáveis de Pinheiro e adjacências.

Caso ela se rompa, haverá escassez de água em Pinheiro e região, prejudicando principalmente o abastecimento da cidade e o estoque de peixes, que morrerão pela falta de água.

Com 100m de comprimento por 25m de largura, a barragem é constituída de três comportas, uma eclusa, que possibilitaria a passagens de embarcações e dois diques laterais.

Os reparos técnicos indispensáveis ao seu funcionamento regular não poderiam ter sido descurados. Essa maravilha da engenharia civil é de suma importância para a microrregião da Baixada, mas não tem sido tratada com o devido cuidado pelas autoridades competentes. À guisa de ilustração, é por causa dela que o rio Pericumã fornece o pescado para os municípios de Pinheiro, Palmeirândia, Peri-Mirim e Pedro do Rosário.

O rio Pericumã possui uma extensão de 115 km. Nasce na Lagoa da Traíra (em Pedro do Rosário) e deságua na baía de Cumã, entre Guimarães e Alcântara. Em seu majestoso percurso, banha 13 municípios. É o mais caudaloso dentre os rios genuinamente baixadeiros. Em particular, o rio Pericumã é vital para a população de Pinheiro, a metrópole da Baixada, com mais de 80 mil habitantes. É o rio Pericumã que fornece água potável para a cidade, além de favorecer diversas atividades econômicas, como a pesca de subsistência e a agricultura familiar.

A administração da barragem é de responsabilidade do Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS), com sede em Fortaleza (CE), mas não existe um funcionário sequer do órgão para realizar a manutenção básica da obra. A situação é tão delicada que os moradores das redondezas são os responsáveis por abrir e fechar as comportas da barragem.

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