quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

“Se invadirem minha fazenda, eu meto bala mesmo”, diz Geraldo Capota


Pecuaristas fazem manifestação em frente ao Fórum de Marabá e querem blindar suas propriedades de invasores

Motivados pelo discurso do atual presidente da República de que “sem terra são bandidos” e que não vai tolerar ocupações de propriedades rurais, um grupo de pecuaristas de várias partes do Estado está reunido em uma manifestação em Marabá para mostrar à sociedade que não vão tolerar ocupação de suas fazendas.
O protesto pacífico está ocorrendo na frente da sede do DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes), na BR-230, que por sua vez fica localizado em frente o Fórum da Comarca de Marabá. Desde as primeiras horas da manhã eles estão com três grandes tendas armadas ao lado da rodovia federal, para onde levaram dezenas de cadeiras, trio elétrico, churrasco (em abundância) e diversas faixas espalhadas estrategicamente para que quem ser lida por quem passa nas duas pistas.
O imenso espaço existente na frente do DNIT mais parece uma concessionária multimarcas, com dezenas de camionetes adesivadas com os motivos do protesto. Com mais de 30 anos de atuação na região, o pecuarista Geraldo Capota, atualmente vice-presidente do Sindicato de Produtores Rurais de Curionópolis, é um dos líderes do movimento e alega que o ex-governador Simão Jatene fez muito mal para os produtores do campo, sendo omisso na determinação e envio de tropas estaduais para cumprir as reintegrações de posse determinadas pela Justiça.
Capota diz que a manifestação que está ocorrendo em Marabá é apenas a primeira de uma série que eles pretendem realizar e estavam programadas desde que Jatene deixou o governo do Estado. “Hoje, temos esperança de que o atual governador, Helder Barbalho, faça prevalecer a lei e freie as ocupações de propriedades rurais”, disse ele.
Questionado pela Reportagem do Blog sobre o tempo que pretendem realizar a manifestação, Geraldo Capota não deu pistas e explicou apenas que a manifestação desta quinta-feira não é composta pela “massa” dos pecuaristas, mas por lideranças de vários municípios do sul, sudeste e até oeste do Pará, que têm uma extensa pauta para discutir relacionada à invasão de terras. “Os assuntos aqui discutidos serão levados ao governador Helder Barbalho e repassados aos produtores pelos líderes imediatos representados neste ato”, ressaltou.
Também indagado se a manifestação ocorre em frente o Fórum para pressionar a Justiça em função das recentes ocupações de fazendas e ainda em relação à prisão do pecuarista José Iran Lucena e seu filho Mateus Lucena, Capota negou que essa seja a intenção e ponderou que “justiça não se pressiona e tem de ser livre”.
Ele justificou que a escolha pelo local da manifestação se deu em virtude de ser um espaço de grande visibilidade, contar com uma ampla área de estacionamento e oferecer fácil acesso aos produtores que chegam dos diversos municípios do Estado. “A margem desta rodovia é uma vitrine, todos estão vendo nossa manifestação e devem entender o que está acontecendo”.
Na avaliação do pecuarista, o clima está começando a melhorar (para eles), observando que as duas invasões ocorridas este ano já foram desmobilizadas dentro do chamado esbulho possessório, em que a DECA (Delegacia de Conflitos Agrários) de Marabá agiu com celeridade e negociou a retirada dos ocupantes dentro do prazo de 24 horas, sem recorrer à justiça.
Sobre a prisão de José Iran, Capota avalia que ele agiu corretamente e apenas disse aos invasores que estavam na porta de sua fazenda que se entrassem lá morreriam. “Hoje, se entrarem na minha propriedade eu meto bala. Isso está na Constituição. O direito à propriedade é sagrado”, enfatizou.

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