segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Artigo: Por que mentimos?

Foto: Schwerdhoefer / Pixabay
A origem da palavra MENTIRA vem do latim “mentiri”, que significa “enganar, dizer falsidade”.
A mentira pode ser contada de maneira planejada, ou também pode surgir de maneira improvisada no ato do acontecimento.  

A ação de mentir é um comportamento natural dos seres humanos, é bem comum identificar nas relações sociais, atitudes para enganar ou criar algo falso de uma pessoa para outra. Esse tipo de prática acontece com pessoas de todas as idades, vai desde crianças até idosos, nas mais variadas culturas.
O primeiro elemento que faz o ser humano mentir, é a necessidade de evitar punições e sofrimentos físicos e/ou psicológicos, que são geradas nas relações sociais, desde a vivência em família até a comunidade como um todo.
Em seu funcionamento natural, a mente humana de maneira instintiva, cria essas estratégias de defesa para evitar as punições. E aí cada indivíduo de modo particular, desenvolve suas artimanhas a partir da sua capacidade cognitiva e adaptativa ao meio em que está inserido.
O segundo elemento que faz o ser humano mentir, vem do comportamento aprendido dos pais e sociedade. Se tratando de Brasil em contexto cultural, o ato de mentir é passado de pai para filho, e assim sucessivamente.
Um exemplo bem clássico disso é contado em forma de piada, mas é exatamente como acontece no dia a dia das famílias e sociedade de modo geral.
Exemplo: Chega um homem querendo falar com o dono da casa, mas quem o recebe é o filho do dono da casa. Então a criança vai até o pai e diz. Papai, tem um homem lá fora querendo falar com o senhor. O Pai responde, não quero falar com ele, vá lá, e diga a ele que eu não estou. A criança com toda inocência chega para o visitante e diz. Pai mandou dizer que ele não está.
Dentro dessas vivências as crianças copiam as ações dos pais, não é à toa, que os seres humanos têm 80% dos seus comportamentos aprendidos. Então não adianta brigar e dizer a criança que mentir é feio, se ele observa os pais mentindo em outras situações.
A mentira poderia ser classificada em categorias:
Categoria I – Onde quem cria a mentira, busca apenas evitar punições a ele mesmo, e na maioria das vezes não causar prejuízo a ninguém. (Mentir ou omitir).
Ex1: A criança traquina que mente para mãe por medo de apanhar.
Ex2: O adolescente que mente para a mãe, para que ela não fique preocupada com ele, e nem ficar “pegando no pé”.
Ex3: O motorista cria uma mentira para o guarda de transito, por medo de ser multado.
Categoria II – Onde quem cria a mentira, tem o objetivo de prejudicar outra pessoa, e em muitos casos o autor da mentira não ganha nada com isso. (O popular levantar falso).
Ex1: Uma pessoa que ouve um comentário de um vizinho e cria uma mentira a partir do que ouvir só para infernizar.
Ex2: Funcionário que cria situação para colega ser punido pelo chefe.
Categoria III – Onde quem cria a mentira, gera prejuízo a outras pessoas e as vezes para ela mesma. (Fantasiar histórias).
Ex1. Uma pessoa fantasia um relacionamento amoroso com outra pessoa, sem nunca ter acontecido nada entre os dois. Então de modo fictício a mentira causa prejuízo moral e psicológico para as duas pessoas.
Ex2: Aluno que mente para os pais, falando que está estudando, mas na verdade ele não está matriculado ou não frequenta a faculdade. Criando nos pais e amigos a falsa ideia de que ele está prestes a se formar.
Na era digital e tecnológica que nós vivemos, nas mídias sociais as mentiras são chamadas de FAKE NEWS, e são várias as falhas humanas em torno dessas postagens mentirosas.
O primeiro erro ocorre na criação da notícia falsa “mentira”, seguido da publicação. Outro erro gravíssimo está no compartilhamento dessa notícia sem ao menos ler ou buscar saber se é verdadeira e se a fonte é segura.
Quem mente acredita ser mais esperto do que os outros;
Quem mente se realiza ao ver a outra pessoa prejudicada;
Quem mente acredita que nunca será enganado;
Quem mente tenta enganar a ele mesmo;
Quem mente é humano, e você enquanto ser humano para quem mente e por que mente?
Por Diógenes Pereira – colaboração*
*Diógenes é Psicólogo Clínico, natural de Santana do Ipanema, hoje residente na capital alagoana, Maceió.

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